Banco do Brasil reabre negociações com trabalhadores, mas não avança nas propostas

O Banco do Brasil e a Contraf-CUT reabriram as negociações referentes ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico. A retomada ocorreu após a maioria das assembleias realizadas na última sexta-feira (4) aprovarem a continuidade do diálogo, impulsionada pelo envio de um ofício pela entidade sindical na tarde desta terça-feira (8). A reunião aconteceu de forma online.
Durante o encontro, o Banco do Brasil reiterou que a proposta apresentada anteriormente representa o limite das possibilidades atuais. Essa limitação se deve, em parte, às restrições impostas pela legislação eleitoral, que impedem empresas estatais de realizarem concursos públicos ou oferecerem reajustes salariais acima da mera recomposição em anos de pleito eleitoral.
Dessa forma, o banco não apresentou novos itens ou melhorias na proposta, focando em prestar esclarecimentos sobre pontos que ainda geravam dúvidas. A informação foi divulgada pela Contraf-CUT, que representa os funcionários do banco.
Detalhamento do reconhecimento financeiro de R$ 3 Mil
Um dos pontos centrais dos esclarecimentos foi o reconhecimento financeiro de R$ 3 mil, vinculado à Campanha de Adimplência 2026. Segundo o Banco do Brasil, cerca de 71,5 mil funcionários, lotados em áreas de negócio e apoio, serão o público-alvo deste bônus. Funcionários de áreas táticas e estratégicas não estão incluídos.
O banco enfatizou que não se trata de uma nova meta ou de uma meta individual. O atingimento da adimplência é um indicador já estabelecido para as unidades do banco. Caso o índice seja alcançado, todos os 71,5 mil funcionários elegíveis receberão o valor de R$ 3 mil.
Outros pontos abordados e avanços da proposta
A Contraf-CUT também solicitou esclarecimentos sobre a proposta de contratação da Cassi para o atendimento do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Meio Ambiente de Trabalho (SESMT). A proposta prevê a priorização de contratos com a Cassi sempre que viável, o que, segundo a entidade, pode auxiliar no aporte de novos recursos para a Caixa de Assistência.
O banco confirmou que cumprirá integralmente a cláusula da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) que prevê a participação dos sindicatos no Programa de Gerenciamento de Riscos Psicossociais, conforme a nova Norma Regulamentadora n.º 1 (NR-1), visando a redução do adoecimento mental na categoria.
Em relação à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), o BB informou que não poderá realizar um segundo processamento devido a impedimentos jurídicos, pois já foi autuado por realizar pagamentos em datas distintas. Funcionários que não assinarem o acordo neste momento não receberão a PLR. Haverá um pagamento em fevereiro de 2027, sem direito à parcela de setembro referente à antecipação.
Os sindicatos planejam convocar novas assembleias a partir de quinta-feira (10), às 19h, para que os bancários avaliem a resposta do BB quanto ao pedido de reabertura de negociação. Sobre a prorrogação da ultratividade, o banco ainda não forneceu um retorno.
A proposta do ACT inclui avanços como o reconhecimento financeiro de R$ 3 mil, adiantamento de R$ 360 milhões na contribuição patronal para o Plano de Associados da Cassi, e o compromisso de estudos para revisão dos critérios do Plano de Carreira e Remuneração.
Outros pontos de destaque são a ampliação da licença-paternidade de 20 para 35 dias, o aumento do auxílio para filhos com deficiência de R$ 760,48 para R$ 874,55 (um aumento de 15%), e um novo salário de referência para a Central de Relacionamento de R$ 6.302,77 a partir de janeiro de 2027.
Para pessoas com deficiência (PCDs), há o financiamento sem juros em até 96 meses para pais de filhos com deficiência e cinco jornadas para reparos em equipamentos. A proposta também prevê abono de até cinco dias para deslocamento e realização de provas da ANBIMA, e estabilidade na função comissionada por seis meses no retorno à função após a Lei Maria da Penha, em casos de violência doméstica.
As ações afirmativas incluem a priorização de mulheres, pessoas com deficiência e pessoas não brancas em processos seletivos internos. Outros avanços mencionados são o abono de ausência em 31 de dezembro de 2026, indenização por morte decorrente de assalto de até R$ 550,5 mil, e a apresentação de um novo modelo para o enfrentamento ao endividamento dos funcionários.
A proposta também contempla a revisão de exames complementares para doenças crônicas, a inclusão de egressos de bancos incorporados no Programa Bem Viver, a contratação da Cassi para atendimento do SESMT e abono de oito dias na formalização de união estável. As informações foram divulgadas pela Contraf-CUT.





