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Bancos em Crise? Demissões em Massa e Fechamento de Agências Preocupam Trabalhadores e Clientes

Comando Nacional dos Bancários Exige Suspensão de Demissões e Fechamento de Agências Diante de Lucros Recordes

A segunda rodada de negociações da Campanha Nacional das Bancárias e dos Bancários trouxe à tona dados alarmantes sobre o setor. O movimento sindical apresentou evidências de que a redução de postos de trabalho e o fechamento de agências não decorrem de dificuldades financeiras, mas sim de uma estratégia empresarial para maximizar lucros.

Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, os bancos no Brasil eliminaram aproximadamente 93,3 mil empregos. Somente no último ano, grandes instituições como Santander, Itaú, Bradesco e Banco do Brasil foram responsáveis pela demissão de mais de 15 mil trabalhadores, além da diminuição de 42% na rede de agências.

Esses números contrastam fortemente com o cenário geral do mercado de trabalho brasileiro, que, sob o governo Lula, tem gerado empregos formais em ritmo recorde. A coordenadora do Comando Nacional, Juvandia Moreira, ressalta que as demissões em massa, especialmente em bancos como Santander, Itaú e Bradesco, configuram uma prática que, segundo a justiça, requer negociação prévia com os trabalhadores.

Lucratividade em Alta, Empregos em Queda

Enquanto os bancos cortam postos de trabalho e fecham agências, os lucros continuam a bater recordes. Em 2025, os cinco maiores bancos do país acumularam um lucro líquido impressionante de R$ 124 bilhões. Essa discrepância levanta questionamentos sobre a real necessidade das demissões e do enxugamento da estrutura física.

O Comando Nacional também apontou um aumento de 49% nos contratos com correspondentes bancários entre 2015 e 2025. Essa transferência de atividades para correspondentes e outros segmentos financeiros, segundo Juvandia Moreira, demonstra que o trabalho bancário não está sendo eliminado, mas sim realocado, muitas vezes para áreas onde os bancos abandonam o atendimento presencial.

Diante deste cenário, o Comando Nacional exigiu a suspensão imediata das demissões e do fechamento de agências como um gesto de boa-fé durante as negociações. No entanto, a Fenaban, representante dos bancos, negou este pedido, o que motivou o Comando a reforçar que continuará cobrando e acompanhando os casos em todo o país.

Mulheres são as Mais Afetadas pelas Demissões em Massa

A coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro, destacou um dado preocupante: das vagas eliminadas entre 2020 e maio de 2026, 79% eram ocupadas por mulheres. Essa redução impacta diretamente a participação feminina no setor, que caiu de 49% para menos de 47%.

Neiva Ribeiro enfatiza que os bancos estão concentrando os ganhos de produtividade obtidos com a tecnologia, sem compartilhar esses benefícios com a população e os trabalhadores. Como medidas para mitigar esse impacto, o movimento sindical propôs a estabilidade de emprego para mulheres vítimas de violência doméstica e o fortalecimento de programas de qualificação e requalificação em tecnologia da informação.

Atendimento ao Cliente Comprometido e Reivindicações Sindicais

Apesar do avanço digital, as agências bancárias físicas continuam sendo essenciais para milhões de brasileiros. Em 2025, foram realizadas 7,2 bilhões de transações em agências, evidenciando a necessidade do atendimento humano, especialmente para idosos. O Comando Nacional cobrou da Fenaban dados financeiros sobre o volume de operações nas agências, argumentando que a contratação em larga escala de correspondentes bancários comprova a importância do atendimento presencial.

Outras reivindicações importantes apresentadas pelo Comando Nacional incluem o fim das terceirizações, garantindo que quem exerce atividade bancária seja reconhecido como bancário com todos os direitos da categoria, e o retorno das homologações nos sindicatos para maior proteção aos trabalhadores. Adicionalmente, foram solicitadas indenizações adicionais em caso de demissão e a criação de um banco de talentos bancários.

Fenaban Rejeita Principais Demandas dos Bancários

Em resposta às reivindicações, a Fenaban negou o fim das demissões e do fechamento de agências, bem como o pedido de estabilidade para toda a categoria e para mulheres vítimas de violência doméstica. A proposta de indenização adicional em caso de demissão também foi rejeitada.

A entidade bancária ficou de avaliar o retorno das homologações nos sindicatos, o reforço e ampliação das cláusulas de qualificação e requalificação de trabalhadores em TI, e a criação de um banco de talentos bancários. O movimento sindical, contudo, reiterou seu compromisso em continuar defendendo todas as reivindicações, argumentando que os lucros recordes dos bancos devem ser reconhecidos com a proteção dos empregos e a ampliação de direitos.

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