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11ª Marcha das Mulheres Negras SP: Pedem por Justiça e Reparação

A 11ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, realizada neste sábado (25) na Praça Roosevelt, no centro da capital paulista, foi palco de um importante ato de memória e luta. O evento, que reuniu centenas de pessoas, incluindo lideranças políticas, feministas, religiosas, artistas e representantes de movimentos sociais, prestou homenagem a Luana Barbosa, mulher lésbica, negra e periférica, assassinada brutalmente há dez anos.

A manifestação, que atraiu participantes de diversas cidades vizinhas e bairros paulistanos, destacou a urgência na resolução do caso de Luana Barbosa, que até hoje não teve nenhum envolvido preso ou condenado. A cofundadora do evento, Juliana Gonçalves, ressaltou a continuidade da violência: “Dez anos se passaram e muitas Luanas Barbosa seguem morrendo, como a gente viu o caso da Ieda e da Fabiana, duas mulheres negras e lésbicas que foram mortas em São Paulo”, afirmou.

A marcha reivindicou direitos, reparação e o direito ao bem viver, enfatizando a dívida do Estado brasileiro para com a população negra. “A gente toma as ruas por direitos, reparação e bem viver, reparação porque o Estado brasileiro nos deve, porque as mulheres negras levantam essa economia, fazem o trabalho de cuidado que não é reconhecido e mesmo assim são as que menos ganham”, explicou Gonçalves. A abertura oficial contou com a performance ancestral do coletivo Bando das Macuas, que apresentou o espetáculo “Anunciação”, inspirado em figuras ancestrais e na reverência às mulheres em marcha.

A força da ancestralidade e da música de protesto

O coletivo Bando das Macuas, composto por sete mulheres, apresentou uma performance focada na ancestralidade, inspirada em sua origem no povo Macuas, do norte de Moçambique. “Nosso trabalho é em cima do corpo e nossa fonte de inspiração é o povo Macuas, presente no norte de Moçambique. Essa apresentação de hoje foi inspirada no espetáculo que esteve em cartaz em 2024 e 2025 chamado ‘Anunciação’, onde representamos figuras ancestrais reverenciando as mulheres que estão aqui unidas em marcha”, detalhou Francine Moura, uma das integrantes do grupo.

No palco montado na Praça Roosevelt, DJs se revezaram, apresentando um repertório de rap e hip hop com fortes temáticas de protesto, embalando a multidão em um clima de união e resistência. A música serviu como trilha sonora para as vozes que clamavam por justiça e igualdade.

Religiões de matriz africana e fé evangélica unem-se na luta

Mulheres negras ligadas a religiões de matriz africana também marcaram presença na marcha, trazendo suas perspectivas sobre a luta e a fé. “Esse é um país que a gente ajudou a construir. Precisamos mostrar que esse povo está aí largado, sofrendo violência, apanhando, que não tem um lugar de fala dentro do governo”, desabafou Iyalode Marisa de Oya. Ela destacou a falta de segurança e a discriminação sofrida por sua comunidade, ressaltando que o país não é tão laico quanto se prega.

“Tem muita gente apanhando por causa da cor da pele, porque é de candomblé, porque é de umbanda. Então, você vê que esse país não é assim tão laico como se fala que é”, complementou Marisa de Oya, evidenciando a necessidade de **maior reconhecimento e proteção para as minorias religiosas**.

Marcha nacional e a busca por um futuro sem violência

Lideranças da Rede de Mulheres Negras Evangélicas, grupo ativo desde 2018, também participaram da marcha, demonstrando a diversidade de vozes e fés que se unem em prol da mesma causa. A luta por dignidade e segurança transcende barreiras religiosas e se consolida como um movimento unificado.

Além de São Paulo, a Marcha das Mulheres Negras ocorreu em outras cidades brasileiras, como Salvador (BA) e Recife (PE), reforçando a importância do movimento em nível nacional. A 11ª edição da marcha em São Paulo não foi apenas um ato de protesto, mas um **lembrete potente da luta contínua por justiça, reparação e pelo fim da violência contra as mulheres negras no Brasil**.

Fonte: Agência Brasil

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