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Na pressão! Trabalhadores farão vigília no Senado pelo fim da escala 6×1

Os atos serão realizados nos dias 1º, 2 e 3 de setembro, a partir das 14h, em frente ao Anexo II da Casa

Trabalhadores vão realizar três dias de vigília em frente ao Senado Federal, em Brasília, nesta semana, para pressionar pela aprovação do fim da escala 6×1. Os atos serão realizados nos dias 1º, 2 e 3 de setembro, a partir das 14h, em frente ao Anexo II da Casa.

Convocada pela Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF), a mobilização coincide com uma semana decisiva para a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019, chamada de PEC do fim da escala 6×1, que reduz de 44 para 40 horas a jornada máxima semanal e estabelece dois dias de descanso remunerado, sem redução salarial.

A proposta está prevista para ser analisada na quarta-feira (2) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou na quinta-feira (27) parecer favorável e rejeitou as 12 emendas apresentadas ao texto, mantendo a versão aprovada pela Câmara dos Deputados.

As vigílias dão continuidade às manifestações realizadas em agosto, quando trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais foram às ruas para cobrar o avanço da proposta no Congresso. A PEC estava no Senado desde o fim de maio e foi encaminhada à CCJ neste mês.“A classe trabalhadora tem direito ao descanso, à saúde, à convivência com a família e ao próprio tempo”, afirma a CUT-DF na convocação dos novos atos.

Flávio Bolsonaro e aliados tentam adiar votação

Enquanto a PEC avança no Senado, aliados do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atuam para tentar impedir que a votação seja concluída antes das eleições de outubro.

A oposição defende que a discussão seja adiada para depois do pleito. Líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que a votação não deveria ocorrer durante o período eleitoral e defendeu um modelo diferente para as relações de trabalho, baseado na flexibilização das jornadas.

Parlamentares do PL também tentaram modificar o texto durante a tramitação na CCJ. O senador Izalci Lucas (PL-DF), por exemplo, apresentou três emendas. Uma delas propunha manter o limite constitucional de 44 horas semanais e permitir a redução por meio de negociação coletiva ou contratação com pagamento por hora.

A alternativa segue o modelo defendido por Flávio e Marinho. As mudanças não foram acolhidas pelo relator Omar Aziz, que optou por manter integralmente o texto aprovado pelos deputados. A tentativa de adiar a votação ocorre em uma pauta com amplo apoio popular. Pesquisa Datafolha divulgada em março apontou que 71% dos brasileiros defendem o fim da escala 6×1.

Câmara aprovou proposta por ampla maioria
A PEC chegou ao Senado após ser aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados no fim de maio. Foram 472 votos favoráveis e 22 contrários no primeiro turno. No segundo, o placar foi de 461 a 19.

O texto aprovado estabelece uma transição para a redução da jornada. Dois meses após a promulgação, o limite semanal cairia das atuais 44 para 42 horas. Depois de 12 meses, passaria definitivamente para 40 horas.

A mudança também garante dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos, sem redução de salário.

A proposta preserva a possibilidade de acordos e convenções coletivas para regimes diferenciados, como a escala 12×36, e para atividades essenciais, entre elas saúde, segurança, transporte e limpeza urbana. Nesses casos, uma legislação específica poderá estabelecer regras próprias.

O limite de 44 horas semanais está previsto na Constituição desde 1988 e não foi alterado desde então.

Semana decisiva no Senado

A votação pode ocorrer durante o esforço concentrado convocado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), entre 31 de agosto e 4 de setembro, último período de votações presenciais antes das eleições de outubro. O fim da escala 6×1 está entre as prioridades anunciadas para a semana.

Após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na quarta-feira (26), Alcolumbre incluiu a proposta entre as matérias que devem avançar antes do início do período eleitoral, mas não garantiu a votação em plenário.

O primeiro passo será a análise do parecer de Omar Aziz pela CCJ, prevista para quarta-feira (2), segundo dia das vigílias em Brasília.

À tribuna, em discurso, senador Omar Aziz (PSD-AM). Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
À tribuna, em discurso, senador Omar Aziz (PSD-AM). (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

Se aprovada pela comissão, a PEC ainda terá de passar por dois turnos de votação no plenário do Senado. Por alterar a Constituição, são necessários pelo menos 49 votos favoráveis, equivalentes a três quintos dos 81 senadores, em cada turno.

Caso os senadores mantenham o texto aprovado pela Câmara, a PEC poderá seguir para promulgação. Uma mudança de mérito obrigaria o retorno da proposta aos deputados.

Serviço
  • Data: 1, 2 e 3 de setembro
  • Horário: a partir das 14h
  • Local: anexo II do Senado Federal

Fonte: Redação com Brasil de Fato

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