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Funai Aciona PF Após Ataques e Ameaças Contra Indígenas Guarani Kaiowá no MS; Áudio com Sugestão de Envenenamento Choca

Funai e Ministério dos Povos Indígenas acionam a Polícia Federal para apurar ataques e ameaças contra indígenas Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul.

Indígenas do Mato Grosso do Sul denunciam uma escalada de ameaças e violência contra suas comunidades desde o encerramento do segundo turno das eleições presidenciais. Um dos casos mais chocantes foi o incêndio criminoso da casa da rezadeira de 90 anos, Ñandesy Roberta, na aldeia Jaguapiré, em Tacuru.

O ataque destruiu não apenas a moradia da idosa, mas também instrumentos sagrados utilizados em rituais tradicionais dos povos Kaiowá e Guarani. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) classificou o ato como uma grave violação aos direitos indígenas e à liberdade religiosa.

Diante da gravidade dos relatos, a Funai e o Ministério dos Povos Indígenas informaram que já acionaram a Polícia Federal e estão acompanhando de perto as denúncias. Conforme informações divulgadas pelos órgãos, uma força-tarefa interministerial foi criada para centralizar o recebimento de denúncias de ataques e ameaças contra povos indígenas, garantindo a apuração e punição dos responsáveis.

Incêndio e Ameaças Criminosas em Comunidades Indígenas

O incêndio na aldeia Jaguapiré, em Tacuru, ocorrido na manhã de quinta-feira (29), é apenas um dos exemplos da onda de violência que tem atingido as comunidades Guarani Kaiowá. Voninho Guarani Kaiowá, coordenador da Apib, relatou em vídeo divulgado nas redes sociais a intensificação dos ataques e ameaças nos últimos dias.

“Repudiamos todos estes acontecimentos e cobramos de todas as autoridades competentes que nos ajudem investigando as pessoas, para que os responsáveis sejam punidos na forma da lei”, declarou Voninho, reforçando a necessidade de ação imediata do poder público.

Áudio com Sugestão de Envenenamento Choca Moradores de Tacuru

Um dos episódios mais alarmantes ocorreu em Tacuru, na noite de domingo (25), logo após a divulgação do resultado do segundo turno das eleições. Mensagens de áudio atribuindo aos votos indígenas a vitória do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva começaram a circular, e em uma delas, um homem não identificado sugere envenenar a água que abastece uma aldeia indígena na cidade.

O áudio, que já foi confirmado pelo prefeito Rogério Torquetti (PSDB) como sendo de um servidor público municipal, diz: “Cê tá doido, rapaz. [Nós – ou como] que ajuda essas praga. E essas praga do demônio. Mas fazer o quê, né? A gente não pode fazer nada. Já falei. Tinha que ponhar veneno na água”. O prefeito afirmou que o servidor foi temporariamente afastado e um processo administrativo disciplinar foi instaurado.

Em outro áudio, um segundo servidor municipal ofende os indígenas por terem votado no candidato petista e faz ameaças diretas a um interlocutor chamado de “Índio”. “Vou te dar um recado bem duro e bem claro. Cê sabe onde eu moro. Eu tô aqui em casa. Quer resolver na pancada, você pode vir aqui. Na pancada, na bala, do jeito que você quiser”, escreveu o servidor.

MPF Instaurou Procedimentos para Apurar Denúncias de Violência

O Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) informou que, com base nas denúncias encaminhadas pela Apib, instaurou procedimentos para apurar a veracidade das acusações e garantir a proteção dos territórios indígenas. A Apib contabiliza mais de 30 casos de violência contra povos indígenas relacionados ao processo eleitoral deste ano no estado.

Em Naviraí, o MPF concluiu que denúncias de supostos homicídios por conflitos políticos eram “boatos” e que imagens fora de contexto foram “falsamente associadas a um suposto ataque contra indígenas”. No entanto, no caso de Tacuru, o órgão estabeleceu um prazo de 48 horas para que a prefeitura preste informações sobre a atuação dos servidores municipais envolvidos nos áudios ameaçadores, recomendando a instauração de processo administrativo disciplinar e o afastamento cautelar dos envolvidos.

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