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Fernando Cerimedo: Entenda como “Fazendas de Cliques” Manipulam Eleições e o Caso do “MAGA da América Latina”

A “Fazenda de Cliques” e o Caso Fernando Cerimedo na Bolívia

A descoberta de uma sofisticada “fazenda de bots” em um endereço ligado a Fernando Cerimedo, consultor político argentino e figura conhecida por trabalhar com líderes de direita na América Latina, acendeu um alerta sobre as táticas de manipulação digital em eleições. Cerimedo, que já assessorou presidentes como Javier Milei, da Argentina, e Rodrigo Paz, da Bolívia, foi preso no país sul-americano sob acusação de tentativa de feminicídio.

A operação policial na Bolívia revelou o que as autoridades descreveram como uma “minigranja de bots”, um termo que se refere a “fazendas de cliques”. Essas estruturas são projetadas para simular apoio popular e influenciar o debate público online, especialmente em períodos eleitorais, levantando sérias preocupações sobre a integridade dos processos democráticos.

O caso de Cerimedo ganha contornos ainda mais complexos ao ser lembrado por veículos como a revista The Economist como “o homem do MAGA na América Latina”, em referência ao slogan de Donald Trump. Ele também esteve envolvido em campanhas que questionaram a lisura das eleições brasileiras de 2022, sem apresentar provas concretas.

O Que São “Fazendas de Cliques” e Como Funcionam?

As “fazendas de bots”, ou “fazendas de cliques”, utilizam sistemas automatizados para gerar um grande volume de curtidas, comentários e compartilhamentos em redes sociais. Esses “robôs” operam milhares de perfis falsos, simulando interações humanas para dar a impressão de um engajamento orgânico e espontâneo.

Reynaldo Aragon, pesquisador em comunicação digital, explica que essas estruturas repetem slogans, impulsionam hashtags e compartilham o mesmo conteúdo em um curto espaço de tempo. O objetivo é criar artificialmente um senso de volume e velocidade nas discussões online, influenciando a percepção pública.

Alexandre Arns Gonzales, doutor em ciência política, complementa que a visibilidade nas redes sociais é frequentemente determinada pelo engajamento. As fazendas de cliques são, portanto, usadas para **alimentar artificialmente essas métricas**, servindo como ferramenta para ataques ou defesas coordenadas de determinados candidatos, temas ou assuntos.

O Impacto do Engajamento Artificial em Eleições

O impacto dessas operações pode ser devastador. Um exemplo citado é a disseminação de uma notícia falsa durante a eleição de 2018 no Brasil, que alcançou 30 milhões de usuários e prejudicou um dos candidatos presidenciais. O objetivo inicial é dar um “impulso” para que o conteúdo alcance pessoas reais e ultrapasse os limites da rede artificial.

Um caso emblemático ocorreu na Tunísia, onde uma empresa tentou influenciar eleições em dez países africanos. Em 2020, o Facebook derrubou mais de 900 páginas e contas ligadas a essa companhia, que contavam com milhões de seguidores e grupos. Essa prática é classificada pelas big techs como “redes de comportamento inautêntico coordenado”.

O Custo e os Desafios no Combate às Fazendas de Bots

A manutenção de “fazendas de cliques” exige um investimento considerável em recursos financeiros, materiais e humanos. A operação de milhares de equipamentos e celulares é uma prática registrada nos relatórios de segurança de grandes plataformas digitais.

Apesar dos planos de conformidade exigidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às bigtechs, como Meta e Google, a identificação e denúncia de indícios de fazendas de bots ainda representam um desafio. Especialistas apontam que a colaboração entre autoridades, sociedade civil e plataformas é crucial.

Reynaldo Aragon avalia que o TSE pode não estar totalmente preparado para combater essa forma de manipulação. Ele sugere que investigações policiais e de atores da sociedade civil são essenciais, pois as plataformas podem hesitar em regular o fluxo de informações por receio de intervenção editorial.

O Caso Cerimedo: Da Extrema-Direita ao “MAGA” na América Latina

Fernando Cerimedo ganhou projeção internacional, sendo reconhecido como “consultor político hispânico do ano” em uma cerimônia realizada na residência de Donald Trump. No Brasil, ele se destacou em 2022 ao questionar o resultado das eleições presidenciais em transmissões online.

Sua prisão na Bolívia ocorreu em meio a acusações graves de tentativa de feminicídio contra a ativista Nadia Beller. A defesa de Cerimedo nega o envolvimento, alegando que ele é vítima de uma armação política. O caso continua sob investigação, com sérias implicações para a discussão sobre a influência de “fazendas de cliques” em processos eleitorais.

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