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Consulta Nacional Bancários 2026: Aumento Real e Saúde Mental Dominam Pauta da Campanha Nacional

Consulta Nacional dos Bancários 2026 consolida participação e define prioridades para a Campanha Nacional

A Consulta Nacional dos Bancários 2026, realizada entre 17 de abril e 31 de maio, reuniu um número recorde de 54.952 respostas em todo o Brasil. O levantamento, apresentado na 28ª Conferência Nacional dos Bancários, demonstra a força da categoria e aponta as principais reivindicações para a Campanha Nacional, com foco em aumento real de salários, manutenção de direitos, emprego e saúde mental.

O número de participantes representa um crescimento expressivo de 64% em relação a 2025 e 17% comparado a 2024, consolidando a consulta como uma ferramenta estratégica para a construção da pauta de negociação. A economista Vivian Machado, do Dieese, destacou a importância da participação ativa dos bancários para fortalecer a representação sindical e direcionar as negociações para a realidade vivenciada no dia a dia.

O levantamento, que contou com a participação majoritária de trabalhadores de agências (66%), teve a maior adesão do Banco do Brasil (24,3%), seguido pela Caixa Econômica Federal (21,4%) e Itaú-Unibanco (18,4%). Os dados coletados servirão de base para a elaboração da minuta de reivindicações e orientarão as negociações da Campanha Nacional dos Bancários de 2026.

Aumento real e PLR lideram as prioridades econômicas

No quesito econômico, o aumento real de salário foi a principal demanda, com 93% dos respondentes o apontando como prioridade. Em seguida, figuram o aumento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), com 63%, e a elevação do vale-alimentação e vale-refeição, com 51%. O aumento do piso da categoria (31%) e o Plano de Cargos e Salários (25%) também foram mencionados.

A economista Vivian Machado ressaltou que a pauta econômica vai além do reajuste salarial, englobando a valorização do trabalho, o reconhecimento e a participação nos resultados, além do combate às desigualdades. As particularidades por banco mostram que o aumento real é unânime, enquanto a PLR ganha mais destaque nos bancos privados.

Manutenção de direitos, emprego e saúde no centro da pauta social

Na esfera social, a manutenção de direitos foi citada como prioridade por 65% dos participantes. A garantia de emprego (45%) e o acesso a um plano de saúde de qualidade (39%) também se destacaram. O combate ao assédio moral (35%) e a jornada de quatro dias semanais (30%) completam as principais demandas sociais.

A análise por banco revela que o plano de saúde é crucial para os empregados da Caixa (71%), enquanto a manutenção de direitos é forte no Banco do Brasil (77%). Nos bancos privados, o emprego tem maior peso. Machado enfatiza que a pauta social está diretamente ligada aos avanços da digitalização, à pressão por resultados e à redução de postos de trabalho.

Tecnologia: proteção ao emprego e qualificação profissional em pauta

Diante dos avanços tecnológicos, a garantia de emprego foi apontada como prioridade por 72% dos bancários. A reivindicação por um aumento de remuneração para dividir os ganhos da inovação (51%) e a necessidade de qualificação e requalificação profissional (45%) também foram enfatizadas.

A categoria exige que a inovação tecnológica não resulte na redução de custos e aumento de lucros apenas para os bancos. A busca por proteção ao emprego, remuneração justa, revisão humana de decisões automatizadas e limites ao monitoramento excessivo são pontos cruciais para a negociação coletiva.

Saúde mental e metas abusivas: um alerta estrutural

Um dos pontos mais alarmantes da consulta é o impacto do ambiente de trabalho na saúde mental dos bancários. 72,6% afirmam que o ambiente bancário afeta negativamente seu bem-estar psicológico, com preocupações constantes, cansaço e fadiga sendo relatos frequentes. O uso de medicamentos controlados também foi apontado por 40% dos respondentes nos últimos 12 meses.

A economista do Dieese alerta que a questão da saúde mental não se trata de casos isolados, mas sim de um problema estrutural decorrente da gestão, metas, pressão e intensificação do trabalho. A negociação coletiva precisa enfrentar esse modelo que adoece os trabalhadores, com índices elevados de impacto negativo na saúde mental em todos os bancos pesquisados.

Organização sindical: financiamento e representatividade

A consulta reforça a importância da organização sindical, com 92,9% dos bancários concordando que o financiamento da luta por direitos deve ser responsabilidade de todos, pois todos se beneficiam das conquistas. Além disso, 64% dos respondentes informaram ser sindicalizados, demonstrando o reconhecimento da categoria sobre o papel fundamental dos sindicatos na garantia de direitos históricos.

A Campanha Nacional dos Bancários de 2026 se configura com uma pauta ampla e diversificada, que combina a valorização econômica com a proteção social, a defesa do emprego e o enfrentamento dos desafios impostos pela tecnologia e pelas metas abusivas. A força da campanha reside na participação e mobilização de toda a categoria.

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