Líderes sindicais das Américas discutem temas como democracia, IA e eleições brasileiras
Evento internacional ocorreu em Santo Domingo, na República Dominicana

Avanços da inteligência artificial (IA), a instabilidade política e os impactos das transformações digitais no mundo do trabalho foram temas centrais no encontro anual do Comitê Executivo Regional da Uni Américas. O evento, realizado em Santo Domingo, na República Dominicana, reuniu líderes sindicais de todo o continente para trocar experiências e traçar estratégias conjuntas.
A defesa da democracia, o fortalecimento das instituições e a garantia de direitos trabalhistas em um cenário de rápidas mudanças tecnológicas estiveram no foco das discussões. A representação brasileira destacou a importância da mobilização sindical para a proteção da ordem democrática e o enfrentamento a desafios econômicos e sociais.
Conforme informação divulgada pela Contraf-CUT, o encontro buscou alinhar ações para garantir que o avanço da tecnologia e as conjunturas políticas beneficiem a classe trabalhadora, promovendo o trabalho decente e o desenvolvimento regional. A troca de experiências entre os países permitiu uma análise aprofundada dos desafios comuns e a reorganização das estratégias de luta.
Defesa da democracia e o cenário eleitoral brasileiro em pauta
Rita Berlofa, secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT, apresentou o panorama brasileiro, enfatizando que o principal desafio atual é a **defesa da democracia**. Segundo ela, isso se traduz na necessidade da reeleição do presidente Lula e na eleição de parlamentares comprometidos com as pautas trabalhistas. A dirigente ressaltou que o combate à desinformação e ao extremismo político são desafios permanentes, especialmente após os ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.
A mobilização dos movimentos sociais e sindicatos foi considerada decisiva para conter o avanço antidemocrático e sustentar a resposta das instituições. Berlofa mencionou a condenação dos envolvidos na trama golpista pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro de 2025 e a revelação do plano “Punhal Verde Amarelo”, que visava o assassinato de autoridades.
O paradoxo econômico e as narrativas em disputa no Brasil
Apesar dos indicadores econômicos positivos apresentados pelo governo brasileiro, como o menor índice de desemprego histórico e a valorização do salário mínimo, uma parcela significativa da população mantém uma percepção negativa da economia. Rita Berlofa apontou que essa discrepância é alimentada pela persistência da inflação, a comparação com o ciclo de mobilidade social dos anos 2000, o papel das redes sociais na criação de expectativas de consumo irrealistas e a frustração de jovens escolarizados que não encontram empregos compatíveis com sua formação.
A dirigente alertou que esse descompasso entre a macroeconomia e o sentimento popular tem um **impacto direto no cenário eleitoral**, tornando a disputa de narrativas ainda mais acirrada. A busca por um desenvolvimento inclusivo e soberano é um dos pilares da atuação sindical.
Pressões internacionais e novos desafios sociais impactam a classe trabalhadora
O cenário brasileiro também é afetado por fatores externos, como as pressões econômicas e políticas impostas pelos Estados Unidos, que têm sido combatidas com diplomacia e ações na Organização Mundial do Comércio (OMC). A preocupação com a crescente militarização do Atlântico Sul, impulsionada por alianças internacionais, também foi destacada. No âmbito doméstico, o endividamento das famílias e a proliferação de casas de apostas online, que consumiram R$ 6,5 bilhões do orçamento familiar em 2025, foram apontados como novos problemas sociais que demandam atenção.
O papel estratégico do movimento sindical na proteção de direitos
Para a Contraf-CUT, a atuação do movimento sindical transcende a disputa eleitoral, focando na defesa de um modelo de desenvolvimento inclusivo e soberano. Isso inclui a promoção de políticas públicas de combate às desigualdades de raça e gênero, a **regulação da inteligência artificial no trabalho**, a proteção previdenciária e a defesa da soberania nacional, incluindo a proteção do Pix, das reservas de terras raras e da autonomia da política externa brasileira. Acompanhar o processo político no Brasil é visto como estratégico para todo o continente, influenciando a integração regional e a capacidade da classe trabalhadora de responder aos desafios tecnológicos e financeiros globais.





