Tatu-bola, mascote da Copa de 2014, ainda em perigo: entenda o plano de salvação do animal ameaçado de extinção

Você se lembra do Fuleco, o simpático tatu-bola que foi o mascote da Copa do Mundo de 2014 no Brasil? Aquele animalzinho que se fecha como uma bola para se proteger de perigos é mais do que um símbolo do futebol. Na vida real, o tatu-bola enfrenta um risco iminente de extinção, e a visibilidade que teve na Copa parece não ter sido suficiente para garantir sua sobrevivência.
O tatu-bola é um animal fascinante, com hábitos noturnos e uma importância ecológica crucial para a Caatinga. Sua contribuição vai desde o controle de pragas até a movimentação de nutrientes no solo, atuando como um verdadeiro “engenheiro ecossistêmico”. No entanto, a perda de seu habitat e a caça predatória têm colocado essa espécie em um estado crítico.
Felizmente, novas iniciativas estão em andamento para proteger o tatu-bola. Um plano de ação nacional será lançado ainda este ano, com o objetivo de reverter o quadro de ameaça e garantir que as futuras gerações possam conhecer esse importante morador da fauna brasileira. Conforme informação divulgada pela Associação Caatinga, o tatu-bola, cientificamente conhecido como Tolypeutes tricinctus, está ameaçado pela perda de habitat e pela caça.
O papel vital do tatu-bola na Caatinga
Felipe Melo, professor da Universidade Federal de Pernambuco, explica que o tatu-bola tem um comportamento noturno e se alimenta de insetos, ajudando no controle de pragas. Além disso, seu hábito de cavar e criar tocas, conhecido como comportamento fossorial, é fundamental para a regeneração da Caatinga. Ao revolver o solo, o tatu-bola ajuda a misturar sedimentos e a melhorar a estrutura do solo compactado.
Flávia Miranda, coordenadora científica do Programa de Conservação do Tatu-bola da Associação Caatinga, destaca que empreendimentos energéticos, como fazendas de energia eólica e solar, e a construção de novas estradas têm impactado negativamente a sobrevivência do animal. Essas construções frequentemente ocorrem em áreas de preferência do tatu-bola, destruindo seu habitat.
Ameaças e a importância da conscientização
O tatu-bola se protege de predadores naturais ao se enrolar, formando uma esfera. Contudo, essa tática é ineficaz contra os humanos, que além de poderem pegá-lo facilmente, também o expulsam de seu habitat em estados como Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Piauí. A caça, seja ela predatória, esportiva ou de subsistência, também é um fator de grande preocupação.
Lourisvaldo Camilo, que já caçou tatu-bola para se alimentar quando criança, hoje integra o Projeto Ecologia e Conservação Participativa do Tatu-Bola e trabalha ativamente pela preservação da espécie. Ele relata que a falta de conhecimento sobre a importância do animal levou a essa prática no passado, mas que a conscientização atual mudou essa realidade, reconhecendo o direito à sobrevivência do tatu-bola.
Plano de Ação Nacional para a conservação do tatu-bola
Segundo o ICMBio, o tatu-bola continua classificado como uma espécie “em perigo” na lista de fauna ameaçada. Emerson de Oliveira, gerente de conservação da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, menciona que ações como a ampliação de parques nacionais e a criação da Política Nacional para Recuperação da Caatinga, em junho de 2026, foram importantes passos para a preservação.
Para intensificar os esforços de proteção, será lançado o Plano de Ação Nacional para Conservação do Tamanduá-bandeira, Tatu-canastra e o Tatu-bola, denominado PAN Tatá. Liderado pelo ICMBio, o plano conta com a colaboração de órgãos ambientais, cientistas e organizações da sociedade civil. O objetivo é mitigar as principais ameaças a essas espécies nos próximos cinco anos, combatendo atropelamentos, a caça e realizando mapeamento genético.
Fonte: Agência Brasil





