Bancários e Banqueiros Voltam a Negociar Aumento Salarial e Condições de Trabalho Nesta Segunda (24): Greve de 24h Foi Apenas o Começo

Bancários e banqueiros retomam negociações cruciais nesta segunda-feira, 24 de julho, em busca de um acordo para a Campanha Nacional Unificada da categoria. A expectativa é de avanços após a paralisação nacional de 24 horas realizada nesta quinta-feira (20), que demonstrou a força e a unidade dos trabalhadores do setor bancário.
A reunião desta segunda-feira representa um novo capítulo nas tensas negociações entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A pauta principal gira em torno de um aumento real nos salários e a melhoria das condições de trabalho, temas que têm sido debatidos intensamente desde o início de julho.
A paralisação de 24 horas, que paralisou milhares de agências em todo o país, serviu como um forte sinal de alerta para a Fenaban. Segundo Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT, a ação foi uma advertência pela falta de respostas concretas às reivindicações apresentadas pelos bancários.
“O resultado das paralisações foi um sucesso, demos o recado de que exigimos respeito e reafirmamos a unidade nacional da categoria, fortalecendo ainda mais a nossa luta nesta campanha”, avalia a dirigente. A próxima rodada de negociações acontece a pouco mais de uma semana da data base, em 1º de setembro, quando a atual Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) expira, aumentando a urgência por um acordo.
Fenaban Sem Proposta de Índice e Trabalhadores Rejeitam Ofertas Anteriores
Na última rodada de negociações, realizada na terça-feira (18), os representantes dos trabalhadores apresentaram os resultados de assembleias que ocorreram em todo o país. Nelas, 97% dos bancários rejeitaram as propostas da Fenaban, que incluíam reajustes por faixas salariais e congelamento do piso de ingresso. Além disso, 90% aprovaram a paralisação nacional de 24 horas.
Diante da forte rejeição, a Fenaban recuou em suas propostas de reajustes por faixas e congelamento do piso. No entanto, a federação se recusou a prosseguir com as negociações naquele dia, condicionando a continuidade à desistência do Comando Nacional sobre a paralisação aprovada pelas bases sindicais.
Reivindicações Abrangem Além do Salário, Incluindo Bem-Estar e Igualdade
Juvandia Moreira destaca que, após oito rodadas de negociação, ainda não houve apresentação de uma proposta de índice de reajuste salarial. As reivindicações dos bancários incluem também melhorias na Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos vales refeição e alimentação, e no piso salarial. Além disso, o movimento sindical luta pelo combate ao adoecimento mental, pelo fim da gestão por metas abusivas e pela redução das desigualdades salariais e de oportunidades.
Essas desigualdades, segundo a dirigente, prejudicam a manutenção e a ascensão de mulheres, negros e negras, e pessoas com deficiência (PCD) no setor bancário. O movimento sindical também busca avanços nas negociações com o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal para a renovação dos Acordos Coletivos de Trabalho (ACT) específicos de cada empresa.
Lucratividade dos Bancos em Contraste com a Situação dos Trabalhadores
Os dados recentes do setor bancário revelam um cenário de alta lucratividade, que contrasta com as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores. O patrimônio líquido do setor bancário atingiu R$ 1,2 trilhão em 2025. Enquanto isso, entre 2015 e 2025, os cinco maiores bancos fecharam 88 mil postos de trabalho e 9,5 mil agências, aumentando em 49% os contratos com correspondentes bancários, o que representa uma terceirização de serviços.
A remuneração média anual dos altos executivos dos três maiores bancos privados deve chegar a R$ 12,5 milhões em 2026, valor 120 vezes superior à remuneração anual de um escriturário. Em 2025, foram realizadas 7,2 bilhões de transações em agências físicas, com um lucro por empregado de R$ 438 mil, evidenciando a alta rentabilidade gerada pelos bancários.
Preocupantemente, entre maio de 2025 e maio de 2026, 40% dos bancários utilizaram medicamentos controlados, como antidepressivos e ansiolíticos, indicando um alto nível de estresse e adoecimento mental no setor. A folha de pagamento dos bancos caiu 7% desde 2016, e o percentual de PLR distribuído pelos bancos privados caiu de 14% do lucro em 1995 para uma média de apenas 5,9% em 2025.
Reconfiguração do Setor Bancário e a Luta por Direitos
“O que estamos assistindo é uma reconfiguração dos bancos, para ampliarem ainda mais seus lucros às custas da terceirização e da precarização do atendimento aos clientes”, explica Juvandia Moreira. Ela aponta para a economia na folha de pagamento e a sobrecarga dos trabalhadores, que permanecem em equipes reduzidas e submetidas a metas cada vez mais exigentes.
A dirigente também ressalta que, enquanto os bancos fecham agências físicas e postos de trabalho, abrem espaço para a concorrência de correspondentes bancários e instituições de pagamento (fintechs). A luta dos bancários por um acordo justo e por melhores condições de trabalho continua, com a expectativa de que a reunião desta segunda-feira traga avanços significativos.





