Jovens Brasileiros Revelam: Internet Precisa de Mudanças Urgentes para Ser Mais Segura e Saudável

Adolescentes Pedem por uma Internet Mais Consciente e Controlada
Uma pesquisa reveladora, divulgada no Dia Nacional da Juventude, aponta que os jovens brasileiros possuem uma visão complexa e crítica sobre a internet. Embora reconheçam os benefícios e o prazer que a rede oferece, eles também demonstram clara consciência sobre os aspectos negativos e a necessidade de melhorias significativas no ambiente digital.
A pesquisa “Adolescência Sem Filtro”, que ouviu mais de 500 jovens entre 13 e 18 anos, revela uma ambivalência marcante: enquanto metade admite passar tempo demais online, a grande maioria sente felicidade ao se conectar. Essa dualidade levanta um alerta importante sobre o uso da internet por essa faixa etária.
Mais de 70% dos entrevistados acreditam que a internet deve continuar existindo, mas com transformações. Essa demanda por mudanças reflete um desejo por um espaço virtual mais seguro, saudável e menos viciante, demonstrando um senso crítico apurado sobre o impacto da tecnologia em suas vidas.
Juventude Ciente dos Riscos e Demandando Ação das Plataformas
Os resultados da pesquisa, encomendada pelo Instituto Alana e realizada pela Agência Koga, destacam que os adolescentes têm uma percepção aguçada sobre os potenciais malefícios da internet. Apesar de usarem a rede majoritariamente para diversão, aprendizado e conexão social, eles sabem que o ambiente online também pode ser prejudicial.
Cerca de 49% dos jovens acreditam que as plataformas digitais são responsáveis por criar uma internet melhor, e 43% pedem por um controle maior por parte dessas empresas. Essa demanda por responsabilidade das big techs evidencia a busca por um ambiente digital mais ético e voltado ao bem-estar do usuário.
Os próprios adolescentes reconhecem que o design das plataformas é feito para prender a atenção, o que os leva a buscar estratégias de autoproteção. Medidas como bloquear conteúdos nocivos (44%) e fazer pausas digitais (32%) são práticas comuns, mostrando a iniciativa dos jovens em gerenciar seu tempo online.
Redes Sociais: O Principal Palco da Vida Online, com Pontos Positivos e Negativos
As redes sociais despontam como a atividade mais frequente entre os jovens, sendo o principal meio de interação e acesso à internet para 46% deles. Conversar com amigos e familiares (37%), jogar (30%), estudar (23%) e assistir a vídeos (21%) completam o leque de atividades mais populares.
O Instituto Alana ressalta que, embora aplicativos como Instagram e TikTok sejam citados como fontes de “anestesia do tédio”, eles também são espaços cruciais para o desenvolvimento de senso de pertencimento, aquisição de informação e aprendizado. Portanto, uma visão puramente negativa das redes sociais não se sustenta.
A pesquisa também aponta diferenças de uso entre meninos e meninas. Os meninos acessam mais para jogar (66%), enquanto as meninas utilizam a internet com mais frequência para conversar com família e amigos (64%) e para os estudos (60%).
Adolescentes Como Agentes de Mudança e Abertos a Apoio
Um dado animador é que 19% dos adolescentes acreditam que podem ajudar a mudar a internet. Essa percepção, mesmo que minoritária, abre portas para a inclusão dos jovens na construção de um ambiente digital mais positivo e seguro.
Gabriela Barbosa, especialista do Instituto Alana, destaca a importância de ouvir os jovens e incluí-los em discussões e processos de construção. “Se a gente abre esse espaço para que eles consigam ser escutados e fazer parte dos processos de discussão e de construção, a gente consegue extrair muita coisa valiosa”, afirmou.
Além disso, 69% dos adolescentes se mostram abertos a receber ajuda para lidar com a dependência da internet, evidenciando uma busca por equilíbrio e bem-estar digital. Essa abertura é um convite para o desenvolvimento de programas e iniciativas de apoio.
Prêmio Criativos 2026: Um Convite à Transformação Digital
Em resposta ao desejo dos jovens por uma internet melhor, o Instituto Alana lança a nona edição do Prêmio Criativos, com o tema “A internet é nossa”. A iniciativa convida crianças e adolescentes de todo o Brasil a transformarem suas experiências digitais em projetos inovadores.
O prêmio busca soluções para tornar a internet mais segura, inclusiva, divertida e acolhedora, abordando temas como tempo de tela, cyberbullying, saúde mental e desinformação. As inscrições para estudantes do ensino fundamental II e médio estão abertas até 2 de setembro, com premiações em dinheiro e reconhecimento para os projetos vencedores.




