Dia do Voluntariado: Psicólogos oferecem saúde mental gratuita e salvam vidas em crises globais e locais

Voluntariado em Saúde Mental: Um Farol de Esperança em Tempos de Crise
Em um mundo assolado por desastres naturais, conflitos e crises de saúde mental, o espírito de voluntariado tem se mostrado um pilar fundamental. Profissionais dedicam seu tempo e conhecimento para oferecer suporte psicológico a quem mais precisa, demonstrando que a empatia e a ação podem mudar realidades.
O Dia Nacional do Voluntariado, celebrado em 28 de julho, realça a importância dessas iniciativas. Psicólogos e outros profissionais de saúde mental relatam que doar tempo não apenas transforma a vida dos atendidos, mas também enriquece a própria experiência profissional e pessoal.
Esses atos de generosidade inspiram e mostram que, mesmo diante de adversidades imensas, a esperança e a cura são possíveis. Conforme informações divulgadas, o voluntariado em saúde mental tem alcançado resultados notáveis em diversas frentes.
Doação de Tempo e Conhecimento para Superar Traumas Globais
A psicóloga Esly Carvalho, com 45 anos de experiência em atendimento a traumas, tem atuado como voluntária em causas humanitárias globais. Após desastres como terremotos e guerras, ela se dedica a treinar equipes para lidar com o estresse pós-traumático.
“É possível fazer intervenções em grupos e situações de desastres de forma eficaz”, afirma Esly. Ela utiliza a abordagem EMDR, que desbloqueia memórias dolorosas. Na Venezuela, após um terremoto que vitimou mais de seis mil pessoas, Esly desenvolveu um programa de intervenção para profissionais locais.
“Nós já formamos mais de 100 colegas nesse manejo, de forma que possam implementar o trabalho. E eles atenderam mais de 500 pessoas”, detalha a psicóloga. Ela e sua equipe atendem gratuitamente online todas as quintas-feiras.
Deglya Flores, psicoterapeuta venezuelana, foi uma das profissionais treinadas por Esly. “O resultado foi maravilhoso porque muitos de nós estávamos altamente perturbados. Eu estava desesperada e angustiada pela magnitude do evento, da dor e da angústia nas pessoas”, relata.
O grupo venezuelano, que conta com apenas 17 terapeutas especialistas em traumas no país, tem estendido seu atendimento a vítimas de desastres na Colômbia. Eles oferecem escuta e apoio a voluntários e profissionais de saúde mental em acampamentos.
Projeto Help: De Seis Amigos a Sete Mil Voluntários
Em São Paulo, uma iniciativa que começou com seis amigos em 2017, após vivenciarem crises de depressão, transformou-se no projeto Help. Eles espalhavam mensagens de apoio em viadutos e pontes, oferecendo contato para quem precisava de ajuda.
“Colocávamos nosso número de telefone e as pessoas entravam em contato”, lembra Felipe Santos, hoje coordenador nacional do projeto. Atualmente, o Help conta com cerca de 7 mil voluntários em todo o Brasil e uma página no Instagram com 389 mil seguidores.
O projeto realiza palestras em escolas e oferece escuta em espaços públicos, como rodoviárias e parques, em atividades chamadas “cantinho do desabafo”. “Temos uma atenção especial com os mais jovens, que têm adoecido mais com ansiedade e depressão”, afirma Felipe.
O atendimento também é remoto, com o primeiro contato via WhatsApp. Jovens têm procurado o projeto frequentemente, relatando problemas emocionais ligados a dependências tecnológicas e apostas online.
Prevenção e Apoio em Brasília: Um Impacto Significativo
Em Brasília, o militar da Marinha Thiago Domingos, 31 anos, coordena o projeto Help após testemunhar casos de suicídio entre jovens nas Forças Armadas. “O nosso projeto trabalha com prevenção e tenta ajudar as pessoas que não têm recursos para consultas com psicólogos”, explica.
Além dos “cantinhos do desabafo”, o projeto realiza palestras em escolas, abordando temas como bullying e outros problemas emocionais. “Aqui em Brasília, atendemos cerca de 5 mil pessoas nos últimos anos”, informa Thiago, destacando a atuação de 15 psicólogos voluntários na capital.
Juliana Cei, 38 anos, psicóloga organizacional, encontrou no voluntariado uma nova perspectiva para sua profissão. Ela atende voluntariamente em espaços públicos nas horas vagas. “A gente está vivendo uma crise de saúde mental generalizada. Há uma epidemia de solidão e as pessoas têm tido poucas oportunidades de interagir, de formar laços, de ter uma rede de apoio”, considera.
Juliana observa que muitos jovens sofrem com a falta de tempo de qualidade com a família, o que os torna mais suscetíveis a crises. Ela também nota um aumento na procura por ajuda por parte de mulheres, que compartilham situações delicadas.
“A gente acaba plantando uma sementinha naquela pessoa que, às vezes, está sofrendo. Mas ela não quer só sair do sofrimento. Ainda pensa em ser voluntária um dia”, compartilha Juliana, emocionada com o impacto de seu trabalho.
Apoio à Diversidade e Combate às Inseguranças
O psicólogo brasiliense Lucas Hedler, 45 anos, adere ao voluntariado para apoiar pessoas trans como ele. “Eu resolvi fazer um grupo de apoio para a gente poder falar sobre as nossas inseguranças. Poder compartilhar nossa história de forma segura e que também tenha um resultado psicológico”, afirma.
Lucas destaca as inseguranças enfrentadas pela comunidade LGBTQIA+, que por vezes encontra ambientes familiares menos seguros que a rua. Ele tem interesse em atender pessoas vítimas de traumas, especialmente após a pandemia, que foi muito difícil para pessoas trans, com muitas sofrendo agressões e expulsão de casa.
O psicólogo planeja expandir os projetos de atendimento voluntário para esse grupo e está se especializando em autismo, dada a alta incidência desse transtorno em pessoas trans.




