12ª Marcha das Mulheres Negras no RJ: Luta contra Racismo e por Democracia
A orla de Copacabana será palco, no dia 26 de julho, da 12ª Marcha das Mulheres Negras do Estado do Rio de Janeiro

A orla de Copacabana será palco, no dia 26 de julho, da 12ª Marcha das Mulheres Negras do Estado do Rio de Janeiro. O evento, com concentração marcada para as 10h no Posto 2, visa reforçar a luta contra o racismo, defender a democracia e exigir reparação histórica.
Com o tema “Em defesa da democracia, contra o racismo, pela reparação e bem viver”, a marcha integra a programação do Julho das Pretas e promete reunir milhares de mulheres negras de diversas regiões do estado. A mobilização é um dos atos políticos mais significativos do movimento negro fluminense.
A iniciativa, que já tem uma história consolidada, busca fortalecer a rede de solidariedade e a conscientização política das participantes, conforme informações divulgadas pela organização do evento.
Oficina de Pirulitos: Preparação e Formação Política
Antes da grande caminhada, no domingo, 19 de julho, o Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN), no Centro do Rio, sediará a tradicional Oficina de Pirulitos. Este encontro não se limita à confecção de cartazes para a marcha, mas também funciona como um espaço vital para formação política, integração e fortalecimento das mulheres.
A oficina, segundo Clatia Vieira, coordenadora da 12ª Marcha das Mulheres Negras-RJ, simboliza a própria essência organizativa do movimento. “A construção dos pirulitos também é um ato político. É nesse momento que as mulheres se encontram, debatem as pautas da marcha e fortalecem essa rede de solidariedade”, explica Vieira.
A participação é inclusiva, com um churrasco colaborativo onde cada uma contribui conforme suas possibilidades, garantindo que “nenhuma mulher fique de fora”, ressalta a coordenadora. Essa abordagem reflete o espírito coletivo e a solidariedade que permeiam todo o movimento.
Histórico e Crescimento da Marcha das Mulheres Negras
A história da Marcha das Mulheres Negras remonta a 2011, quando organizações de mulheres negras de todo o país propuseram uma grande marcha nacional. Após anos de articulação, a iniciativa ganhou as ruas de Brasília em 2015, reunindo cerca de 100 mil mulheres.
No mesmo ano, o Rio de Janeiro realizou sua primeira marcha estadual, que se tornou um evento anual e parte da mobilização permanente do Fórum Estadual de Mulheres Negras. Mesmo durante a pandemia de Covid-19, com duas edições realizadas virtualmente, a articulação do movimento nunca cessou.
“Estamos na 12ª marcha. Tivemos duas edições online por causa da pandemia, mas estamos há dez anos ocupando as ruas desde 2015. A marcha nunca deixou de existir porque o racismo também nunca deixou de existir”, afirma Clatia Vieira, destacando a resiliência e a constância da luta.
Mobilização Ampliada e Impacto Social
A 12ª Marcha das Mulheres Negras-RJ já movimenta dezenas de municípios fluminenses. Rose Cipriano, integrante da coordenação, informa que caravanas estão sendo organizadas em locais como São Francisco de Itabapoana, Cantagalo, Niterói e Baixada Fluminense. A expectativa é reunir entre 10 e 15 mil mulheres em Copacabana.
O objetivo principal da marcha vai além do ato público. A ideia é que as mulheres retornem fortalecidas aos seus municípios para criar fóruns locais, ampliar o diálogo sobre racismo e pressionar o poder público por políticas específicas para a população negra.
A escolha de Copacabana como local da marcha carrega um forte significado político. Cipriano explica que o bairro é historicamente marcado por desigualdades raciais e sociais, e que marchar ali é uma forma de “disputar esse território e mostrar que ele também pertence à população negra”. Clatia Vieira complementa, afirmando que ocupar a Zona Sul é denunciar o racismo estrutural.
Um Ato Político Contra o Racismo e em Defesa da Democracia
A Marcha das Mulheres Negras consolidou-se como um espaço crucial de articulação política para o movimento negro feminino no estado. Sua criação, segundo Clatia Vieira, foi uma resposta direta ao racismo estrutural e às desigualdades enfrentadas diariamente pelas mulheres negras.
“A Marcha é, antes de tudo, um ato político de denúncia ao racismo. A gente denuncia como as mulheres negras vivem, como são submetidas às desigualdades e como o racismo estrutural coloca essas mulheres em situação de ausência de políticas públicas”, pontua Vieira.
As pautas abordadas são amplas e incluem a defesa da democracia, o combate ao racismo, o fim da escala 6×1, a defesa da PEC da Reparação, a luta contra a redução da maioridade penal, e a garantia de direitos à saúde, educação, trabalho digno e à vida. “São pautas construídas pelas próprias mulheres negras e que expressam a realidade de quem sente diariamente os efeitos do racismo”, acrescenta.
A marcha se destaca por sua construção horizontal, onde “ninguém vai apenas bater palma. Cada mulher leva sua voz, sua experiência e sua luta”, conforme enfatiza Vieira. Além das discussões políticas, o evento também celebra a cultura afro-brasileira com apresentações de jongo, samba, feira de artesanato, atividades infantis e manifestações religiosas de matriz africana, representando a ancestralidade e a resistência.
A importância da imprensa na divulgação das pautas é ressaltada por Vieira: “É muito importante contar com os meios de comunicação. A gente liga a televisão e quase nunca vê as nossas histórias ou as nossas pautas. A marcha não é apenas um encontro. Ela denuncia o racismo, fortalece a organização das mulheres negras e mostra que seguimos lutando por respeito, igualdade e pelo direito de viver com dignidade.”





