Finep cede em cláusulas sociais e corrige auxílio-teletrabalho, mas valorização salarial de nível médio segue sem resposta

Finep incorpora cláusulas sociais e atualiza auxílio-teletrabalho, mas impasse na valorização salarial persiste
A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) deu sinais de avanço nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) ao concordar em incorporar 19 cláusulas sociais da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários. Além disso, a empresa apresentou um encaminhamento para a correção do auxílio-teletrabalho, que será reajustado pelo INPC acumulado desde 2022.
Esses pontos foram apresentados em reunião on-line com a representação dos trabalhadores, que busca a renovação do ACT. Apesar das boas notícias em algumas frentes, a cobrança por respostas efetivas em relação à valorização salarial dos trabalhadores de nível médio continua sendo um ponto central da pauta.
A representação sindical ressalta a importância de que os compromissos assumidos pela Finep sejam formalizados no acordo, com prazos claros para cumprimento. A informação foi divulgada pela Contraf-CUT.
Cláusulas sociais e auxílio-teletrabalho ganham destaque
A incorporação de 19 cláusulas sociais da CCT negociada com a Fenaban é um avanço significativo, abrangendo temas como assédio, igualdade de gênero, violência doméstica e familiar, e canais de denúncia. Essa medida visa fortalecer a proteção e os direitos dos trabalhadores no ambiente corporativo.
Outro ponto positivo é a correção do auxílio-teletrabalho. O valor atualmente pago será reajustado com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado desde 2022, ano em que o valor foi estabelecido. A representação dos trabalhadores defende, ainda, que essa atualização seja anual e siga os reajustes da CCT dos bancários, garantindo previsibilidade.
PLR: adiantamento e discussões sobre parcela adicional
No que diz respeito à Participação nos Lucros e Resultados (PLR), a Finep sinalizou a intenção de realizar um adiantamento em 30 de dezembro. Este adiantamento pode chegar a até 2% do lucro líquido da empresa, com limite de um salário e meio por trabalhador, condicionado ao cumprimento de metas e aprovação do Conselho da Finep.
A representação dos trabalhadores também apresentou a proposta de criação de uma PLR adicional a partir de 2027, com distribuição linear entre os funcionários. O objetivo é complementar a participação nos resultados da empresa, visando atingir 6,5% do lucro líquido. Os detalhes dessa parcela adicional ainda serão objeto de futuras negociações.
Valorização salarial de nível médio segue sem definição
Apesar dos avanços em outros pontos, a principal reivindicação histórica da representação dos trabalhadores, a valorização da remuneração dos profissionais de nível médio da Finep, continua sem uma resposta concreta. Essa demanda tem sido apresentada há mais de quatro anos.
Em negociações anteriores, a Finep alegou a necessidade de atualizar estudos sobre as funções e comparar salários com outras instituições. A expectativa era de que um levantamento resultasse em uma proposta efetiva nesta rodada, o que, contudo, não ocorreu. Jair Alves, dirigente da Contraf-CUT, expressou a expectativa de que a empresa reconheça a importância da reivindicação e apresente uma solução compatível com o tempo de espera dos funcionários.
Trabalhadores cobram prazos e garantias no acordo
A representação dos trabalhadores enfatiza a necessidade de que os compromissos assumidos pela Finep sejam formalizados no ACT, com mecanismos que garantam o cumprimento das decisões. Isso inclui a definição de uma comissão para acompanhar os temas pendentes, o agendamento de reuniões e a construção de um calendário de trabalho com prazos estabelecidos.
A meta é que a renovação do ACT não se limite a registrar intenções, mas sim a garantir direitos e compromissos verificáveis, com avanços concretos na remuneração e nas condições de trabalho. As negociações seguem em andamento, com a representação dos trabalhadores mantendo a pressão por respostas efetivas.





