CotidianoDestaque

Privatização do BB vai gerar desemprego em massa e riscos para Agricultura

Coordenadora do plano econômico de Flávio Bolsonaro admite que BB deve estar entre as mais de 20 estatais a serem privatizadas

A possibilidade de privatização do Banco do Brasil (BB) levanta sérias preocupações sobre o futuro de milhares de trabalhadores, aposentados e o papel social da instituição. A coordenadora do plano econômico de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, admitiu que o BB pode estar entre as mais de 20 estatais a serem privatizadas em um eventual governo seu. Essa declaração acende um alerta sobre a segurança de empregos e direitos conquistados ao longo de décadas.

A Contraf-CUT, através de sua presidenta Juvandia Moreira, critica veementemente a intenção de privatizar uma empresa com tamanha relevância social. O Banco do Brasil é fundamental para o financiamento da agricultura brasileira, um setor vital para a produção de alimentos e para a economia do país. A retirada desse apoio pode ter consequências imprevisíveis.

As falas de Daniella Marques ecoam declarações anteriores de Flávio Bolsonaro, que já manifestou o desejo de privatizar 95% das estatais. Durante o governo de Jair Bolsonaro, o próprio Banco do Brasil sofreu um processo de desmonte, com fechamento de agências e demissões, beneficiando bancos privados como o BTG Pactual. Conforme informações da Contraf-CUT, em 2020, um fundo ligado ao BTG comprou uma carteira de crédito do BB por R$ 371 milhões, avaliada em R$ 2,9 bilhões, uma diferença de 90% que chamou a atenção da Controladoria-Geral da União. O então ministro Paulo Guedes chegou a afirmar que o BB era um “caso pronto de privatização”.

Impacto no emprego e Direitos dos Trabalhadores

A privatização de empresas, como a Sabesp e a Eletrobrás, historicamente resulta em enxugamento de postos de trabalho e redução de salários. A Contraf-CUT projeta que, em caso de privatização do BB, milhares de agências seriam fechadas, funcionários demitidos e os salários reduzidos. Benefícios como a Cassi (Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil) e a Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil) estariam em risco, pois planos de saúde e previdência complementar são vistos como custos elevados por modelos de negócio privados.

O Papel social do Banco do Brasil e riscos para o agronegócio

O Banco do Brasil desempenha um papel crucial no desenvolvimento econômico do país, levando crédito para todas as regiões e setores, especialmente o agronegócio e a agricultura familiar. Conforme dados recentes, a carteira de crédito expandida do BB alcançou R$ 1,3 trilhão em junho de 2026, sendo R$ 421,6 bilhões destinados ao agronegócio e R$ 431,5 bilhões a negócios sustentáveis. A privatização pode significar a interrupção desse fluxo, impactando diretamente a produção de alimentos e a economia nacional.

Eletrobrás e Sabesp: Lições de privatizações anteriores

A privatização da Eletrobrás, concluída em junho de 2022, serve como um alerta. Apesar das promessas de redução de tarifas, os consumidores, tanto residenciais quanto produtivos, enfrentaram um forte encarecimento na conta de energia. Além disso, houve demissões significativas e uma queda na qualidade dos serviços prestados, resultando em aumento de apagões. Similarmente, a privatização da Sabesp levou à demissão de 40% dos funcionários logo após a transferência para o capital privado, evidenciando um padrão de corte de custos que afeta diretamente os trabalhadores.

Presença nacional e acesso a serviços financeiros

Fernanda Lopes, coordenadora da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, destaca a capilaridade da instituição, com mais de 84 mil trabalhadores e presença em 93% dos municípios brasileiros. O BB atua em locais onde bancos privados e o mercado não têm interesse, garantindo acesso a atendimento e recursos para a população. A privatização, neste contexto, representa um risco de exclusão financeira para muitas comunidades e um retrocesso no acesso a serviços básicos.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo