
Mas envelhecer não significa abandonar a memória à própria sorte. Há hábitos capazes de manter o cérebro ativo e ajudar a preservar o desempenho cognitivo.

Exercícios e uma dieta equilibrada contribuem para a saúde do cérebro e podem ajudar a preservar a memóriaImagem: iStock
1. Mexa o corpo e cuide da alimentação
A alimentação também conta. A dieta mediterrânea, rica em frutas, verduras, legumes, grãos integrais, azeite, castanhas e peixes, fornece nutrientes e compostos antioxidantes associados à proteção do cérebro.
A atividade física ainda pode ter efeitos que vão além da prevenção. Um estudo da UFRJ identificou a participação da irisina, hormônio liberado durante o exercício, em mecanismos relacionados à memória e observou resultados que sugerem a possibilidade de reverter alterações associadas ao Alzheimer. Esses achados experimentais ajudam a explicar por que movimentar o corpo é tão relevante para o cérebro.

Aprender algo novo e desafiar a mente são formas de estimular atenção, retenção e recuperação de informaçõesImagem: iStock Images
2. Dê trabalho à memória
Memória também depende de uso. Aprender um idioma, estudar um assunto novo, fazer cálculos mentalmente, tentar lembrar um telefone antes de consultar a agenda ou simplesmente reconstruir mentalmente uma lista de compras são maneiras de desafiar a capacidade de atenção e retenção.
A memória não é uma estrutura única. Há sistemas responsáveis por guardar informações por pouco tempo e outros que armazenam conhecimentos, habilidades e acontecimentos durante anos.
O processo ainda passa por três etapas. Primeiro, é preciso prestar atenção e captar a informação. Depois, ela precisa ser consolidada, com a participação do hipocampo e de regiões dos lobos temporais. Por fim, vem a evocação, quando a lembrança é recuperada.
Por isso, um esquecimento pode começar antes mesmo de a informação ser armazenada. Se a atenção falha, a memória pode nem chegar a registrar adequadamente aquilo que aconteceu.

Conversas, encontros e atividades em grupo mobilizam diferentes funções cognitivas e ajudam a manter o cérebro ativoImagem: iStock
Conversar, encontrar amigos, participar de atividades em grupo e compartilhar experiências são mais do que formas de passar o tempo. Interações sociais mobilizam diferentes funções cognitivas, como linguagem, atenção, memória e interpretação das emoções.
Manter vínculos também ajuda a combater o isolamento, que está associado a pior desfecho cognitivo em pessoas mais velhas. Ter uma rotina que inclua encontros e atividades sociais, portanto, é uma maneira de manter o cérebro em movimento.

Agenda, calendário e lembretes ajudam a organizar compromissos e poupam a memória operacional para outras tarefasImagem: iStock
4. Use a tecnologia como aliada
Agenda, calendário, despertador e lembretes do celular não precisam ser vistos como uma ameaça à memória. Ao contrário. Eles podem funcionar como ferramentas de apoio para a memória operacional, permitindo que o cérebro não precise guardar sozinho horários, compromissos e tarefas.

Reduzir a tensão e manter a atenção no presente favorecem o registro de novas informações e a memóriaImagem: Getty Images
5. Controle a ansiedade e desacelere
A atenção é a porta de entrada da memória. Quando a mente está ocupada com preocupações ou permanece em estado de alerta constante, fica mais difícil se concentrar no que acontece ao redor e, consequentemente, registrar novas informações.
Práticas que favorecem a atenção plena podem ajudar nesse processo. O princípio é simples: atentar-se de fato àquilo que está sendo feito, em vez de realizar uma tarefa enquanto a cabeça está presa a várias outras.
Dormir bem também é fundamental. O sono participa da consolidação das memórias e da recuperação do cérebro, enquanto noites maldormidas podem prejudicar atenção, disposição e desempenho cognitivo.
Quando o esquecimento deixa de ser normal?
Alguns lapsos fazem parte do envelhecimento. Demorar para lembrar um nome ou uma palavra e recuperá-la depois de alguns segundos, especialmente quando uma pista ajuda, pode acontecer sem que exista uma doença.
O sinal de alerta aparece quando as falhas se tornam frequentes e começam a interferir na rotina. Esquecer tarefas importantes, repetir histórias ou perguntas sem perceber e apresentar dificuldade para realizar atividades que antes eram simples merecem atenção.
Na demência, o problema não é apenas demorar mais para encontrar uma informação. A lembrança pode não ser recuperada mesmo quando a pessoa recebe pistas, porque há comprometimento de processos envolvidos na retenção e na fixação das informações.
Quando os esquecimentos começam a atrapalhar a vida cotidiana, vale procurar avaliação médica. Quanto antes a causa for investigada, maior a possibilidade de identificar condições que podem ser tratadas ou acompanhadas.
Fonte: Redação com informações UOl





