CEF x Trabalhadores: Sem acordo, Dia Nacional de Luta é convocado

A segunda rodada de negociações entre a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa e a direção do banco, realizada em 17 de julho, terminou sem soluções para as principais reivindicações dos trabalhadores. A falta de avanços concretos levou a CEE a convocar um Dia Nacional de Luta para 27 de julho, buscando ampliar a mobilização da categoria.
As cobranças focam em pontos cruciais como a sustentabilidade do Saúde Caixa, licenças para tratamento de saúde, teletrabalho, substituição em cascata e medidas contra o endividamento dos empregados. A expectativa é que a mobilização force o banco a apresentar propostas mais efetivas nas próximas rodadas de negociação.
Conforme divulgado pela Contraf-CUT, a reunião deu seguimento a um encontro anterior, em 8 de julho, onde a CEE já havia apresentado dados indicando a necessidade urgente de rever o teto de 6,5% para o custeio do Saúde Caixa, garantindo a sustentabilidade do plano e seus princípios. A retomada da proporção histórica de custeio e a garantia de direitos para novos admitidos também foram pontos de destaque.
Saúde Caixa e Licenças Médicas: Prioridades Ignoradas
A representação dos empregados reiterou a importância de acabar com o teto estatutário que limita a participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa, além de defender o fortalecimento das Gerências de Pessoas (Gipes) e a isonomia para os empregados admitidos após 2018. A cobrança por um cronograma para o convênio com a Cassi, visando ampliar a rede credenciada, também foi um ponto central.
O relato de problemas enfrentados por empregados afastados por motivos de saúde, especialmente aqueles que aguardam benefícios do INSS, foi um dos pontos mais sensíveis. A CEE criticou o uso rotineiro de juntas médicas para revalidar atestados e defendeu o fortalecimento das Gipes para oferecer suporte adequado aos trabalhadores, evitando que a responsabilidade recaia apenas sobre as chefias imediatas.
Luiza Hansen, coordenadora da CEE/Caixa, enfatizou a necessidade de acolhimento e soluções para o limbo previdenciário, afirmando que “Quem adoece precisa encontrar acolhimento, não mais obstáculos”. A busca por mecanismos que garantam segurança aos empregados durante afastamentos é uma demanda constante.
Teletrabalho e Substituição em Cascata: Reivindicações Urgentes
A CEE também levantou preocupações sobre as recentes mudanças na política de teletrabalho, que geraram insatisfação pela falta de diálogo. Os empregados reivindicam uma política clara, com critérios objetivos de realocação, igualdade de direitos e ajuda de custo regionalizada. Para os profissionais de TI, a necessidade de regimes que favoreçam a retenção de talentos foi destacada.
A inclusão do regramento do teletrabalho no Acordo Coletivo é uma das principais reivindicações. Paralelamente, a substituição em cascata foi outro tema dominante, com a exigência de sua aplicação em todas as unidades da Caixa, garantindo remuneração compatível e reconhecimento das responsabilidades assumidas pelos trabalhadores. Edson Heemann, da Fetrafi-SC, ressaltou que a medida busca corrigir distorções e promover justiça funcional.
Endividamento da Categoria: Um Problema Social a Ser Resolvido
A preocupação com o endividamento dos empregados também foi colocada na mesa de negociação. A CEE cobrou uma proposta da Caixa que facilite a renegociação de dívidas para trabalhadores em situação de superendividamento. Hugo Saraiva, da Fetec-CUT/SP, destacou que mais de 70% dos bancários estão endividados, um problema que afeta a qualidade de vida e a saúde mental.
A criação de uma cláusula específica no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) para abordar o endividamento é vista como essencial para oferecer proteção aos empregados. A falta de respostas concretas por parte do banco diante dessas demandas reforça a necessidade de uma mobilização mais ampla.
Dia Nacional de Luta: A Pressão Continua
Diante da ausência de posicionamentos concretos da Caixa, a CEE/Caixa convocou o Dia Nacional de Luta para 27 de julho. A mobilização visa pressionar a direção do banco a apresentar propostas viáveis nas próximas negociações. Sindicatos, federações e empregados de todo o país são chamados a reforçar a defesa do Saúde Caixa, da valorização dos trabalhadores e da melhoria das condições de trabalho.
A coordenadora Luiza Hansen reafirmou que “Não basta ouvir as reivindicações. Os empregados esperam respostas e avanços. A negociação precisa produzir resultados.” A expectativa é que a paralisação nacional gere o impacto necessário para que o banco atenda às demandas apresentadas.
Fonte: Redação com Federação e Sindicatos dos Bancários




