Alerta no Rio: Pedidos de Medidas Protetivas na Página Maria da Penha Virtual Disparam em 2026, Superando Metade do Total de 2025

TJRJ registra alta expressiva em pedidos de medidas protetivas pela internet em 2026
O Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) divulgou dados preocupantes sobre a violência doméstica no estado. De janeiro a julho de 2026, a plataforma Maria da Penha Virtual recebeu **3.210 pedidos de medidas protetivas**. Este número já se aproxima do total registrado em todo o ano anterior, 2025, que somou 3.696 solicitações.
A ferramenta online, criada para facilitar o acesso das mulheres à justiça e garantir sua segurança, tem se mostrado cada vez mais essencial. A alta demanda reflete a persistência e, em alguns casos, o aumento dos casos de violência doméstica no Rio de Janeiro, demandando atenção e ações contínuas.
Os dados são do Observatório Judicial da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e evidenciam um cenário que exige vigilância. Conforme informação divulgada pelo TJRJ, a plataforma Maria da Penha Virtual tem sido um canal vital para que as vítimas busquem amparo legal e proteção contra seus agressores.
Perfil das Vítimas e Agressoras Revela Urgência por Proteção
A análise dos dados revela que **mulheres entre 21 e 40 anos concentram mais da metade dos pedidos**, representando 56,5% do total. Este grupo etário, em uma fase frequentemente de consolidação familiar e profissional, demonstra ser um alvo significativo da violência doméstica. O serviço do Maria da Penha Virtual atende exclusivamente a mulheres residentes no estado do Rio de Janeiro.
No que diz respeito ao perfil dos agressores, os registros deste ano indicam padrões preocupantes. Em 38,1% das ocorrências, o agressor foi classificado como **violento**. Em 35,7% dos casos, o comportamento predominante foi de **controle**, e em 26,3%, o **ciúme excessivo** foi o fator mais recorrente. Esses traços apontam para dinâmicas de relacionamento abusivas que precisam ser desconstruídas.
Crescimento Contínuo e Histórico de Solicitações na Plataforma
A plataforma Maria da Penha Virtual tem registrado um **aumento contínuo na utilização** desde sua criação. Em 2022, foram 1.579 pedidos. Em 2023, o número saltou para 3.113. Em 2024, atingiu 3.497, e em 2025, 3.696. Os 3.210 pedidos nos primeiros sete meses de 2026 indicam uma tendência de crescimento ainda maior, com uma projeção de aumento de quase 50% em relação ao ano anterior, caso o ritmo seja mantido.
Em média, a plataforma recebeu **459 solicitações mensais** de janeiro até 15 de julho deste ano. Essa média reforça a necessidade de manter e ampliar os recursos dedicados ao combate à violência doméstica e ao apoio às vítimas no estado.
Maria da Penha Virtual: Segurança e Agilidade no Acesso à Justiça
Criado em 2020, durante a pandemia, o Maria da Penha Virtual é um **web app desenvolvido por universitários da UFRJ**. Sua principal característica é ser acessado por link, **sem a necessidade de download**, o que garante maior **segurança e discrição** para a mulher que busca ajuda.
Na plataforma, a vítima preenche um formulário detalhado, incluindo dados pessoais, informações sobre o agressor e a agressão sofrida. É possível anexar provas como fotos e áudios. Ao final, o sistema gera automaticamente uma petição em PDF, que é distribuída ao juizado competente, e a vítima pode acompanhar o andamento do processo online.
Como Buscar Ajuda e Denunciar Violência Contra a Mulher
O TJRJ orienta que mulheres agredidas fisicamente (tapas, socos, pontapés), ameaçadas com armas, forçadas a relações sexuais, controladas financeiramente ou impedidas de usar seus pertences, ou que sofram qualquer outra atitude considerada violenta pelo agressor, devem buscar uma medida protetiva.
É fundamental que as vítimas, após acessarem sites de apoio ou denúncia, como o Maria da Penha Virtual, **apaguem o histórico de navegação** para preservar sua segurança.
Além da plataforma online, a **Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180** oferece atendimento gratuito 24 horas por dia. O serviço está disponível também pelo WhatsApp (61) 9610-0180 e pelo e-mail central180@mulheres.gov.br.
Denúncias podem ser feitas em delegacias especializadas de atendimento à mulher (Deam), delegacias comuns e nas Casas da Mulher Brasileira. Para casos de violações de direitos humanos, o **Disque 100** é um canal de denúncia, e a Polícia Militar pode ser acionada pelo **190**.





