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MPF apura impactos socioambientais de projetos da Vale em Canaã dos Carajás

O Ministério Público Federal (MPF) intensifica a investigação sobre os efeitos das operações da mineradora Vale S.A. na comunidade de Vila Bom Jesus, em Canaã dos Carajás, no Pará. A diligência técnica visa colher depoimentos de moradores a respeito dos impactos ambientais e sociais causados pelo Projeto Sossego, a primeira mina de cobre da empresa, e pelo futuro Projeto Bacaba.

Desde 2023, o MPF acompanha a situação, buscando entender os danos gerados pela atividade mineradora na região. A coleta de relatos dos moradores é uma etapa crucial para a apuração dos fatos e para a busca de soluções.

Durante a visita, a equipe do MPF constatou a proximidade da Vila Bom Jesus com o Projeto Sossego, observando a presença de poeira emanada do empreendimento e danos em plantações locais. Conforme informações divulgadas pelo MPF, a curta distância entre a mina e a comunidade levanta preocupações significativas sobre a qualidade de vida e a saúde dos residentes.

Moradores denunciam restrições de acesso e poluição no rio Parauapebas

Um dos pontos centrais das denúncias dos moradores é a alegada proibição de acesso ao rio Parauapebas. Segundo os relatos, guardas e seguranças privados estariam agindo com truculência, confiscando equipamentos de pesca como motores, canoas e redes. Os pescadores locais apontam ainda que o rio tem apresentado mudanças em sua dinâmica, com relatos de diminuição do volume de água e acúmulo de rejeitos provenientes da mineradora.

Além disso, a comunidade associa o aumento de doenças respiratórias, problemas gastrointestinais e casos de câncer na região à **contaminação da água e do ar**, supostamente causada pelas operações da Vale. Esses problemas de saúde pública são um dos focos da investigação do MPF.

Vale se defende e afirma adotar controles ambientais

Em resposta às denúncias, a Vale S.A. declarou, em nota, que adota rigorosos **controles ambientais** em suas operações. A empresa afirma realizar o monitoramento contínuo da qualidade do ar, da água, além dos níveis de ruído e vibração, e que os dados coletados são devidamente repassados aos órgãos competentes para fiscalização.

Sobre o acesso ao rio Parauapebas, a mineradora esclareceu que as regras de acesso são definidas por **normas ambientais** aplicáveis à região e não por determinação da empresa. A Vale também informou que já implementou projetos de aquicultura em parceria com a comunidade pesqueira local, buscando alternativas e desenvolvimento sustentável.

Estudo técnico e perícia antropológica para avaliar impactos

O MPF planeja uma nova fase de investigação, que incluirá a realização de um **estudo técnico** detalhado. Pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) serão responsáveis por essa análise, com o financiamento custeado pela prefeitura de Canaã dos Carajás. Uma equipe multidisciplinar, composta por biólogos e engenheiros sanitários, avaliará os impactos ambientais diretos na água e no solo.

Adicionalmente, a UFPA conduzirá uma **perícia antropológica** com a comunidade. O objetivo é documentar as transformações na Vila Bom Jesus desde antes da instalação do empreendimento da Vale até os dias atuais, registrando as mudanças sociais e culturais vivenciadas pelos moradores. A expectativa é que esses estudos forneçam dados concretos para embasar futuras decisões e ações.

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