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Publicada em 03-10-2017 às 13h43 e visualizada 365 vezes




Não há democracia sem uma mídia plural e diversa

Não há democracia sem uma mídia plural e diversa

“A imprensa tem uma responsabilidade social de proteger o direito dos indivíduos”. Esse é um dos principais papéis da mídia, de acordo com o professor da Universidade de Brasília, Venício A. de Lima. Sua opinião foi explanada no debate sobre “O poder da mídia”, realizado na manhã desta quinta (28), pelo Sindicato dos Bancários de Brasília em parceria com o Sindicato dos Professores do DF (Sinpro).

Segundo Venício, há tempos, a imprensa tem atuado como quarto poder. Para ele, essa atuação “trata-se de um poder informal, que opera como agente importante, mas sem ter sido eleito pelo povo. Um quarto poder que passa a ser fundamental para a fomentação da democracia, assumindo papel de fiscal os outros três poderes (Executivo, legislativo e judiciário)”.

O professor destaca que, já na década de 40, estudiosos apontavam algumas condições específicas que faziam com que a mídia se tornasse ainda mais poderosa. Entre elas, destaca-se a situação de monopólio. “Se você tiver uma única voz e nenhuma que se contrapõe a essa voz existente, é quase impossível ter uma visão diferente do que é apresentado”, afirma.

O outro requisito determinante é a canalização. “É difícil alterar crenças e comportamentos que estão arraigados na sociedade, mas, aliando o discurso e crenças, fica bem mais fácil de convencer as pessoas”, aponta. Já a terceira condição está ligada à suplementação das mensagens da comunicação com contatos pessoais e trabalho de base.

Porém, Vinício destaca que, nas democracias liberais, essas condições são dispensáveis, já que a mídia atua como um modelo de propaganda, sendo diretamente influenciada por outros inúmeros agentes. “O sistema de comunicação é financiado por grandes anunciantes, que vão interferir no seu processo de produção. As fontes definidoras das notícias são as fontes oficiais. Há a existência de um inimigo externo comum, que condiciona a cobertura midiática, além de outros atores poderosos e privados. Assim, não é preciso que se tenha condições específicas para ter o funcionamento da mídia dentro da perspectiva de um consenso que priorize a pequena parcela dominante”, ressalta.

No Brasil, segundo o professor, o Estado atua como curador, pois delega à iniciativa privada, por meio de concessões, um papel que seria seu. “Naturalizou-se a exploração dos serviços de comunicação às empresas privadas. O serviço já nasceu e se consolidou com viés privatista”, aponta.

Ele menciona que, a partir das permissões concedidas, as empresas foram se transformando em oligopólios multimídias, dominados por grupos familiares, muitas vezes, encabeçados por políticos em exercício do poder. “Não há regulamentação dos princípios e normas que estão na Constituição e que poderiam alterar esse quadro. O fato de o Brasil não ter o controle da propriedade cruzada, culmina no monopólio da comunicação. Paralelo a isso, ter políticos como donos maiorais das empresas de comunicação cria uma imensurável distorção do processo democrático”, declara.

Quanto ao processo de comunicação na web, Vinício aponta que “a internet e a mídia tradicional são complementares e que a maior parte dos conteúdos que circulam nas redes sociais vêm dos grandes veículos. Outro ponto importante destacado pelo professor é quanto à força de alcance da grande mídia. Segundo ele, “não dá para os pequenos veículos competirem, assim como não se pode isolar a questão da comunicação na internet como se fosse algo independente da sociedade”.

A solução, na visão do professor, estaria na união de movimentos de esquerda para o fortalecimento das mídias alternativas e combate à comunicação de massa, que manipula e atua sob interesse do poder centralizado. “Não há liberdade sem liberdade de expressão. Não há política sem comunicação. E, sobretudo, não há democracia sem mídia plural e diversa”.
No período da tarde, será exibido o filme “A revolução não será televisionada”, que trata sobre a influência da mídia privada no golpe de Estado contra o ex-presidente da Venezuela Hugo Chávez.

 CUT Brasília






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