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Publicada em 10-07-2017 às 15h21 e visualizada 4017 vezes




Câmara inicia rodada de 40 horas de discussões sobre denúncia contra Temer

Câmara inicia rodada de 40 horas de discussões sobre denúncia contra Temer

Em uma semana legislativa que começa tumultuada, a Câmara dos Deputados vive movimentação atípica nesta segunda-feira (10). A expectativa é de que a leitura do relatório sobre a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Michel Temer por corrupção passiva, a ser feita no início da tarde pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), resulte num debate que pode chegar a 40 horas. Isso porque o presidente da comissão, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), autorizou que todo o colegiado possa se manifestar a respeito. A previsão é de votação final do relatório, em função dos vários discursos, apenas na tarde de quinta-feira (13) ou manhã de sexta-feira (14). Enquanto isso, em paralelo, as mesas diretoras da Câmara e do Senado discutem se haverá ou não recesso parlamentar.

Em meio às discussões, continuam as contas de votos favoráveis e contrários à admissibilidade da denúncia contra o presidente. O deputado Carlos Marun (PMDB-MS), que tem sido um dos porta-vozes da base do governo, diz que, depois de reuniões diversas feitas no Palácio do Jaburu neste final de semana, Temer espera entre 39 a 41 votos pela rejeição da denúncia – são necessários 34 votos para a rejeição.

Já a oposição afirma que aproximadamente 30 votos serão favoráveis a Temer. Por outro lado, há 11 parlamentares que se dizem da base do governo mas sobre os quais ainda há dúvidas sobre como vão se posicionar.

A avaliação feita pela maior parte dos parlamentares é que, sabendo-se que a denúncia será votada no plenário da Câmara independentemente do resultado da votação na CCJ, o período que se inicia será um termômetro para o que vier a acontecer daqui por diante.

Dependerá do tom do relatório a ser apresentado pelo relator escolhido, o deputado Sergio Zveiter (PMDB-RJ) – que segundo pessoas próximas será favorável à denúncia e contrário a Temer –, do tom da defesa do presidente, do teor de um relatório substitutivo a ser apresentado pela base governista e, mais ainda, dos discursos a serem feitos por parlamentares da oposição.

Articulações intensas

"Não temos dúvida, o clima é de expectativa, mas minha avaliação é que não tem mais jeito. Dentro de poucos dias o presidente do país não será mais Michel Temer", disse um peemedebista que preferiu não se identificar.

"Vamos derrubar esse presidente ilegítimo. Ao contrário do impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, o que há aqui é um caso grave de corrupção passiva, com provas. Votar pela rejeição da denúncia é o mesmo que desmoralizar o Congresso Nacional e o país", afirmou o deputado Alessandro Molon (Rede-RJ).

No início da tarde, DEM, PDT, PPS, PP, PMDB e PSB se reuniram na tentativa de conciliar a troca de cargos dos integrantes da CCJ por suplentes, a pedido do Planalto.

O PSDB continua sendo o grande mistério da votação, já que os tucanos ficaram de se reunir hoje, em São Paulo, para decidir se permanecem ou deixam de vez o governo. Por volta do meio-dia, o deputado Betinho Gomes (PE) disse que prevê um debate intenso, pela constatação clara de divisão entre os tucanos e pela situação de fragilidade de Temer.

 

RBA






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