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Publicada em 29-06-2017 às 13h32 e visualizada 1619 vezes




Petroleiros realizam greve e denunciam desmonte de refinarias da Petrobras

Petroleiros realizam greve e denunciam desmonte de refinarias da Petrobras

Enquanto os petroleiros vivem diariamente situações de insegurança nas unidades do Sistema Petrobras, cujos efetivos próprios foram reduzidos em 20% em função do Plano de Demissão Voluntária (PDV), os gestores da empresa impõem novos cortes de postos de trabalho nas refinarias, potencializando os riscos de acidentes. A irresponsabilidade da diretoria da Petrobras é tamanha que, na audiência da última terça-feira (27) na Justiça do Trabalho de Duque de Caxias, os advogados da empresa afirmaram que na Reduc há "pessoas que estão lá sem fazer nada" e que a sequência de acidentes na refinaria deve-se a "procedimentos errados", ou seja, a culpa é da vítima.

Para a FUP, está claro que a estratégia da gestão Pedro Parente é sucatear para privatizar, pouco se importando com a vida do trabalhador e a segurança das comunidades que estão no entorno das refinarias. Com um acidente após o outro, essas unidades estão à beira de uma tragédia anunciada de proporções catastróficas, como ocorreu nos anos 80 na Vila Socó, em Cubatão-SP, e no início dos anos 2000, com os gigantescos acidentes ambientais e o afundamento da P-36.

Na Replan (SP), a maior refinaria do país, onde a Petrobras anunciou o corte de 54 trabalhadores das áreas operacionais, o desmonte já causou uma sequência de acidentes desde o último dia 22, quando houve uma explosão em um soprador do setor de destilaria. No final de semana, dois trabalhadores do Coque foram atingidos por um vazamento de nafta pesado. Na Rlam, em São Francisco do Conde (BA), que teve 63 postos de trabalho fechados, foram três acidentes em menos de três dias, sendo duas ocorrências numa mesma unidade, onde um operador já havia sido queimado durante um vazamento.

Greve

Para barrarem o desmonte, os petroleiros irão aderir à greve geral desta sexta-feira (30). Os trabalhadores de todo o Sistema Petrobras participarão da paralisação nacional, denunciando o desmonte que Pedro Parente e sua turma vêm impondo à empresa.

Nas refinarias, a greve será por tempo indeterminado, com avaliações diárias da FUP e de seus sindicatos. Várias unidades já estão mobilizadas. A orientação é que os trabalhadores exerçam o Direito de Recusa, que é previsto no Acordo Coletivo de Trabalho, e também renunciem às Brigadas de Emergência. O desmonte do Sistema Petrobras coloca em risco não só a soberania do país, como a vida de cada um dos petroleiros e a segurança das comunidades vizinhas às unidades operacionais.

ACT e legislação

Em todo o país, a direção da Petrobras, unilateralmente, reduziu os efetivos operacionais das refinarias, descumprindo o Acordo Coletivo de Trabalho e violando normas de segurança. O desmonte obedece a lógica do atual governo Temer de reduzir o máximo possível a presença da estatal na indústria petrolífera, transferindo ativos estratégicos para o setor privado e abrindo toda a infraestrutura e logística da empresa para as multinacionais.

Para a FUP, o objetivo é fazer o que o governo Fernando Henrique não conseguiu nos anos 90: privatizar por completo o setor de energia. A gestão Pedro Parente já reduziu em quase 30% a carga processada das refinarias, fazendo a Petrobras perder espaço no mercado doméstico de combustíveis para as suas concorrentes.

 

FUP






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